Agridoce

Uma visão descompromissada desse mundo de gostos distintos. Uma análise dos dissabores dessa vida, que vai do Doce ao Acre em instantes.

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Batendo Ponto (sobre clichê e funcionalismo público)

Posted by Andres Pascal on janeiro 19, 2012
Publicado em: Cotidiano, Humor. Marcado: batendo ponto, clichê, funcionalismo público, repartição pública. Deixe um comentário

Falo pra vocês com toda a experiência que a vida profissional me proporcionou até hoje, não há lugar mais clichê neste mundo que uma repartição pública. As pessoas, as expressões, os gestos e comportamentos são os mesmos em cada uma delas, independente da esfera de atuação, ou do ente que representa.

Não sei explicar se funcionário público tem complexo de inferioridade ou se ele sempre superestima a importância do colega ao lado. A verdade é que o companheiro de trabalho sempre ganha tratamento de rei nas relações interpessoais. Na porta do elevador da repartição, por exemplo, é fácil ouvir o seguinte diálogo:

- Tem vaga pra mais um aí?

- Claro, meu chefe. Se não tiver, eu saio daqui para você entrar.

Aliás, é normal promover o colega de trabalho com esse tipo de tratamento. Do presidente à tia do cafezinho, todos viram chefe, presidente, comandante, ‘meu patrão’ e tantos outros nomes. Menos o estagiário, claro. Esse nunca evolui. Mas, voltando aos exemplos, funcionário público sempre acha que o colega do setor ao lado é milionário. Principalmente na fila do banco:

- Olha aí o meu patrão. Esse é o único que ainda tem um dinheirinho aqui.

Mas o pior é quando chega a sua vez no caixa eletrônico, e lá de trás (como que do inferno) vez a voz do inconveniente colega de trabalho:

- Ei, me chefe! Tira tudo não, viu? Deixa um pouco pra mim.

Você tem que dar aquele sorriso amarelo e continuar a operação, não adianta. Funcionário público que se preze tem o felling de um roteirista do “Zorra Total”, e alguns mais esforçados chegariam fácil na “Praça é Nossa”. A capacidade de constranger é proporcional ao número de cargos comissionados em qualquer repartição pública brasileira.

Agora, o mais legal em agência bancária de repartição pública é no dia de pagamento dos aposentados. Ô dia animado, viu? Os velhinhos não encaram aquilo como obrigação, é um evento social. É a oportunidade de se encontrarem e colocar a fofoca em dia. Bate até a tristeza quando o atendimento chega rápido. Também e a hora ideal pra falar das novidades:

- Menina, enfartei duas vezes esse mês.

- Ai, já eu dobrei a quantidade de remédios. Tô pagando uma fortuna

- Meu 11º netinho nasceu esse mês

- Jura? Tá feliz?

- Claro, eu e meu filho estamos. Apesar de ter a mãe que tem, ele é lindo

E ainda dizem que vida de funcionário público é fácil.

Aquela lição de Eclesiastes…

Posted by Andres Pascal on dezembro 27, 2011
Publicado em: Cotidiano, Egocentrismo. Deixe um comentário

No dia 8 de maio de 2008 eu escrevi um post nesse mesmo blog pra contar que eu havia passado no concurso da Suframa, e que estava na expectativa de uma convocação breve. Pois bem, breve ela não foi. Cá estou eu, três anos depois, para anunciar que já estou atuando em minha nova função do novo emprego.

Nem quero entrar em detalhe com relação aos motivos de tanta demora. Este nem é o verdadeiro objetivo deste post. A verdade é que tudo isso me fez refletir pro tempo exato das coisas, e da incapacidade do ser-humano de entender o andamento das coisas quando elas não acontecem da forma que desejamos.

De 2008 pra cá, muita coisa aconteceu na minha vida. Pessoas importantes entraram e saíram dela, aceitei e venci alguns desafios, ri e chorei por centenas de milhares de vezes. Coisas boas e ruins que julgo importante para o meu amadurecimento, para a construção do meu caráter, da minha experiência profissional e vivência.

Profissionalmente eu enfrentei a intensa e apaixonante vida de redação de jornal. Lá no Commércio, no Em Tempo e, por fim, no Portal D24AM. Fui repórter pra aprender a escrever com clareza, pra sempre encontrar a informação mais importante em cada fato, pra sempre ter perguntas qualificadas para os entrevistados, e buscar o diferencial.

Como editor do Portal, busquei o equilíbrio e mais conhecimento. Tive que aprender a liderar, a ponderar, a estudar (isso é algo que não podemos abandonar nunca). Conheci pessoas importantíssimas na minha vida, que me ajudaram nesse processo. Começar a citar colegas de trabalho que viraram grandes amigos é um convite à injustiça. Então, prefiro agradecer e acreditar que cada um de vocês vai ler esse texto.

Lembro que na época do resultado do concurso fiquei desesperado para ser chamado. Parecia a solução ideal para muitos problemas. Mas a convocação não veio. Se em 2008 eu tive dificuldade em entender tudo isso, hoje tudo me parece claro. Eu tinha que viver todas as experiências, meus amigos. Tinha que pular de cabeça na redação. Aprender com pessoas especiais e amadurecer para profissão. Agora chego aqui preparado e ainda mais feliz.

Então vamos em frente. Vamos com força, vamos com fé. Mas se tiver que esperar um pouquinho, se tiver que tirar o pé do acelerador, se tiver que ter paciência, eu terei. Meu grande avô citava Eclesiastes 3:2 pra me ensinar essa lição, mas, cabeça dura como sou, eu só aprendi com a vida. “Há tempo de nascer, há tempo de morrer. Há tempo de lutar e tempo de arrancar da terra o que se plantou”.

Obrigado, Sócrates

Posted by Andres Pascal on dezembro 4, 2011
Publicado em: Egocentrismo, Esportes. Marcado: Corinthians, democracia corintiana, Doutor, Magrão, pai, Sócrates. 1 comentário

Como quase todo mundo da minha idade, sofri uma influência grande do meu pai para torcer pelo time que ele também idolatrava. No meu caso, Graças a Deus, esse time era o Corinthians. O que a gente não costuma saber é o motivo que levou nossos pais a tomar tal decisão. No meu caso, no entanto, não há dúvida. A culpa toda é do Sócrates.

Pra explicar essa minha dedução, tenho que falar um pouco do meu velho. Comunista, revolucionário, fiel até hoje às causas que acredita e defende. Usou o teatro contra a ditadura, gritou pelas Diretas Já!, pintou minha cara e me levou no colo, ainda moleque, para as passeatas que pediam o “Fora Collor”.

Mas meu pai era apaixonado por futebol, e encontrou em Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira um ídolo para dentro e fora dos campos. Inteligente como só ele, o “Doutor” comandou uma transformação no meu Corinthians, que jamais foi vista em outro time de futebol no mundo. Coisa de revolucionário.

A democracia corintiana pregava o respeito aos jogadores, e o espaço para que eles tomassem as decisões no clube. Parece claro. Como mola mestra de uma máquina chamada ‘clube de futebol’, nada mais justo que dar voz e voto a eles. Não tão claro assim, pelo jeito, afinal, até hoje é difícil ver algum setor do país que respeite essa relação de trabalho.

Sócrates também emprestou seu prestígio em defesa das ‘Diretas’. Meu pai deveria assistir seus discursos na televisão transbordando de orgulho. O Magrão condicionou sua permanência no Brasil à aprovação da emenda que garantia o voto direto. Como não foi aprovada, ele optou por um exílio um pouco mais democrático na Europa. Aposto que não tão fácil, pra um cara que tem brasileiro até no nome.

Cresci ouvindo essas histórias por parte do meu pai. Cresci aprendendo a respeitar aqueles que lutaram por causas maiores que o seu próprio ego. Cresci amando cada dia mais o Corinthians, o pavilhão alvinegro, a fiel torcida corintiana, o Doutor Sócrates, e o meu pai.  Cresci sabendo que ser corintiano é muito mais complexo do que se imagina.

Hoje o Corinthians pode comemorar mais um título brasileiro. Mais um de sua bela história. Mas o Doutor não estará aqui pra comemorar. Ele decidiu partir antes, só pra ser diferente, só pra revolucionar. Como seus passes de calcanhar, que abrilhantaram um dos mais belos capítulos da centenária história do Timão. Mas, onde ele estiver, espero que ele receba minha gratidão por uma das maiores alegrias da minha vida. Ser corintiano.

Obrigado, Doutor

Quem curte uma pelada gostosa?

Posted by Andres Pascal on setembro 17, 2011
Publicado em: Egocentrismo, Esportes. Marcado: Campinho, Futebol, Manaus, Pébol, Pelada. 1 comentário

Hoje quero falar sobre o tradicional Futebol de Quinta-Feira. Este evento que nasceu nos campinhos de pelada de Manaus para contribuir com a agregação humana, ou segregação, dependendo do nível de agressividade sofrido pelos praticantes desta modalidade.

A idéia e os objetivos são bem parecidos com o do futebol comum. Visualmente, no entanto, pouco se assemelham. No Futebol de Quinta-Feira, que também é conhecido como Pelada ou Pébol, vale absolutamente tudo. Chutões, caneladas, catimba…só não vale esquecer de citar o nome da mãe do adversário na hora da provocação.

E o evento acontece na quinta-feira por um motivo estratégico. Com as partidas do Campeonato Brasileiro encerradas, os boleiros que torcem pros times vencedores têm a oportunidade única de zoar com aqueles que saíram derrotados. Cabe ao perdedor inventar as mais estapafúrdias desculpas para tentar justificar o mal rendimento do time.

Aliás, contar vantagem e inventar desculpa é com o boleiro mesmo. Em todo campinho de pelada tem aquele que chega arrotando talento digno de Ronaldo Fenômeno, e terminam a noite com um desempenho pior que o do Val Baiano. Aí tem que dizer que ta cansado, que trabalhou o dia todo ou que resolveu dar uma chance pros adversários.

Outros personagens também brilham nesse palco bizarro do pébol. Tem o cara que só chega bêbado, e sempre vira piada entre a galera com suas quedas absurdas e lances bizarros. Tem o galã, que chega todo equipado, com chuteira brilhando, e nunca joga bem. Tem também o reclamão (ou dono da bola), que nunca aceita uma derrota.

Não podemos esquecer de citar o craque. O boleiro que realmente joga bem. Solidário e humilde, ele nunca faz alarde, mas impressiona com seu futebol. O coitado, porém, sofre bullyng e é boicotado. Só é convidado uma vez. Duas no máximo. É que, para os perebas, sempre há de se prezar pela manutenção do nível amador.

E os corneteiros do time fora? Passam a noite toda sem ganhar uma partida sequer. Mas não deixam de criticar os times que estão em campo. Secando e rindo em cada jogada errada, estas hienas só ficam caladas quando levam uma bolada “acidental”, ou ouvem o famoso “Quem é que ta fora mesmo, einh?”

O futebol é algo sagrado para os boleiros. Quase um segundo lar (para alguns, o primeiro). Tanto que parte deles aproveita para levar mulheres, namoradas e peguetes para o pébol. O objetivo é fazer com que as pobres torçam por eles. Elas, no entanto preferem ignorar o evento e tricotar conversas infindáveis entre sí. Além de garantir é claro, que a “pelada” que apaixonou os seus homens é inofensiva e sem curvas.

*O nome do evento utilizado no texto é influenciado pela vivência do autor, mas pode ser adaptado para qualquer dia da semana.

Muito mais que um simples “SIM”

Posted by Andres Pascal on setembro 15, 2011
Publicado em: Egocentrismo. Marcado: casamento, matrimônio, SIM. 1 comentário

Agora são os dois na mesma cama, na mesma casa, na mesma mesa do jantar. Dividindo alegrias do dia, compartilhando histórias, risadas e lágrimas. Agora o “fica com Deus” é coletivo, o dorme bem é no ouvido,  e o “não esquece” é com mãos dadas e revezamento em escala.

Mãos suadas e nervosismo no dia 29. Nos olhos, um misto de sentimentos compreensíveis apenas para os protagonistas. Foram seis anos e três meses de espera, de desafios, de companherismo e cumplicidade, de decepções e reconquistas. Mas, acima de tudo, seis anos e três meses de amor initerrupto.

Hoje a alegria vem com pequenas coisas do dia. As refeições nada sadias da madrugada, o momento mágico da compra de uma campainha, matar carapanãs, lavar a pia e cozinhar. A expectativa por mais um episódio do seriado, e a briga pra decidir quem toma o primeiro banho da manhã.

Mas pra quem acha que é fácil ser feliz, que é só trocar alianças e deixar levar, a vida a dois é reconquista diária. É ser feliz fazendo o companheiro feliz, como ensinou o pastor. É ceder, é mudar atitudes. Tem que esquecer o orgulho e lutar por um objetivo único. É se doar, sem pensar no que virá em troca.

Não sei se fui o melhor companheiro do mundo, ou o que mais deu alegrias. Mas meu compromisso é com a felicidade, com o sorriso de covinhas e o pra sempre. Se não for assim, não me vale cada dia 11 ou 29.

Obrigado, senhora Michele Gouvêa Ferreira Pascal

Notinhas do Parlamento

Posted by Andres Pascal on agosto 3, 2011
Publicado em: Política. Marcado: Gushiken, Orlando Cidade. Deixe um comentário

Tributo a Gushiken – A tão esperada volta de Alfredo Nascimento ao Senado Federal foi algo fora do comum. Em seu discurso de defesa das denúncias de faturamento no Ministério dos Transportes, o pai do express0 (e padrasto da BR-319) disse que foi abandonado pelo Governo, e prometeu provar sua inocência, a exemplo de outros ministros que passaram por frituras. Ele disse que Luís Gushiken, ex-ministro de comunicação de  Lula, só havia conseguido provar que estava limpo depois de morto. O único problema é que o japa continua vivinho lula da silva.

Mais Caro do Mundo – O que era assunto proibido pela turma do governo na época da campanha, agora ganhou força na ALE-AM. Hoje os deputados discutiram a intenção do governo de cobrar pedágio para travessia na Ponte Sobre o Rio Negro. De acordo com a base aliada, a ideia é para garantir que a Ponte de R$ 1 bilhão tenha manutenção frequente nos seus três quilômetros. No afã de agradar ao governador, deputados propuseram tarifas que variam entre R$ 5 e R$ 10. Absurdo, se lembrarmos que a Ponte Rio/Niteroi, com 13 quilômetros, cobra apenas R$4,50

Grande Cidade – Pagar pedágio  para atravessar a ponte-mais-cara-do-mundo Ponte sobre o Rio Negro já não é uma coisa que agrade muita gente, mas, nesta terça-feira, o deputado Orlando Cidade teve uma ideia ainda mais genial. Para justificar que a política de concessões é uma boa sacada do governo do Estado, ele defendeu que seja cobrado pedágio também nas rodovias estaduais, na entrada de cada cidade (sem trocadilho). Ou seja, o cidadão que chega de carro em Manacapuru ou Novo Airão, por exemplo, terá que deixar alguns trocadinhos para os cofres do Estado. Bela forma de incentivar o turismo local, deputado.

O Poeteiro – O vereador Mário Frota deixou transparecer seu lado artístico nesta terça-feira, durante uma tribuna popular na Câmara que discutiu a importância do aleitamento materno. “Acho o gesto de amamentar algo muito lindo. Quando vejo uma mulher amamentando, subitamente me dá uma vontade de escrever uma poesia”. Tá bom, Poeteiro. Conta outra.

 

É que o nosso empresário é bom

Posted by Andres Pascal on fevereiro 15, 2011
Publicado em: Cotidiano, Economia. Marcado: Alfredo Nascimento, Amazonense, Arena da Amazônia, Copa 2014, empresário. 10 comentários

Há duas semanas eu ví em um dos quiosques do aeroporto uma caixinha de madeira bem bonita, onde havia um desenho da Arena da Amazônia na tampa. Hoje também descobri que Manaus já ganhou uma placa de trânsito indicando a localização do estádio que será construído para a copa de 2014. Por enquanto a colossal arena nem está perto de existir, mas o turista já pode comprar souvenir do lugar e imaginar que ela está lá.

Infelizmente o nosso Estado tem essa capacidade absurda de vender o que não existe. De chamar atenção por coisas boas e grandiosas que não passam de ilusão. Nem vou entrar na polêmica discussão sobre a viabilidade de uma Copa do Mundo em Manaus, mas me sinto constrangido em ver que o Amazonas se vangloria por ter o estádio mais belo do Brasil, mesmo sabendo que ele ainda não passa da imaginação de meia dúzia.

Mas estes orgulhos tortos não começam aí. São de muito tempo, aliás. Manaus já teve o melhor prefeito do país (por duas vezes) sem que a população concordasse com isso de verdade. O Brasil já caiu no conto dos nossos “empresários”, e comprou um ministro dos transportes que deixou em desgraça o transporte público manauara. Como entender enganos dessa proporção? Sim, sabemos vender muito bem.

Recentemente a capital do “Extresso” ganhou um prêmio nacional por ser um dos melhores transportes públicos do país. A galera no T2 vaiou em peso. Ora, amigo leitor, nem precisa andar de ônibus pra saber da distância que estamos deste título. Veículos sucateados, sistema em crise, tarifa alta, greves…e eu me pergunto: “O que foi que eles viram aqui?”

Mas, pensando bem, esse engano é até explicável. Já que a “elite” sulista do país imagina Manaus como uma grande floresta habitada unicamente por índios selvagens que fogem de onças em suas canoas, saber que os “primeiros” ônibus começam a funcionar no meio da mata é de causar admiração. “Eles estão planejando um monotrilho? Nossa. Dá logo esse prêmio pra eles”.

Aliás, essa visão estereotipada do Amazonas também é responsabilidade nossa. Nem adianta culpar o Globo Repórter. Nossos “empresários” adoram divulgar o Estado como uma grande floresta verde, selvagem e isolada (sem falar da famosa sustentabilidade). Destacando o amazonense como o povo marginal que precisa viver sem as maravilhosas inovações encontradas apenas no sul do país. E isso vende, amigo. Como vende.

Mal eles sabem que é das mãos deste povo selvagem que surge boa parte destas inovações. Pelo menos disso podemos nos orgulhar. Aliás, já passou da hora de esquecermos o ilusório e passarmos a exaltar o que é bom de verdade: O povo amazonense, que só ta precisando de um pouquinho de auto-estima para começar a se valorizar e construir um futuro melhor e mais palpável.

Guia Agridoce Manaus 5.0 – Ele Voltou

Posted by Andres Pascal on novembro 13, 2010
Publicado em: Cotidiano, Gastronomia, Humor. 3 comentários

Voltei, meus queridos. Após meses de uma abstinência bloguística, decidi enfim voltar a escrever por aqui. Peço desculpas pela ausência, e me comprometo a não tornar os intervalos entre os posts tão grandes assim.

Mas pra não dizer que esse tempo todo foi em vão, gastei boa parte dele me alimentando em biroscas, botecos e pé sujos. Tudo para ampliar negativamente meu conhecimento gastronômico na cidade e trazer para vocês mais uma edição do…

Lanche Família: Pão amanhecido só serve pra vatapá e rabanada. Vocês concordam? Mas o dono desse lanche costuma utilizar verdadeiros fósseis para fazer os sanduíches. É cada um mais duro que o outro, daqueles que viram farelo ao menor toque com o corpo humano. Se você reclamar eles até mandam outro, mas ele virá do mesmo jeito. (Aparecida)

Habib´s: A loja no Parque 10 deu para estragar umas das coisas mais gostosas da franquia: O mini kibe cremily. Pedir no delivery é quase certeza que eles chegarão rachados e secos de creme. No drive thru é muito raro que a esta mini-delícia chegue quentinha em sua boca. Espero, de verdade, que isso seja passageiro. (Parque 10)

Lanche do Pimenta: O sanduíche até que é gostoso, e o cardápio é bem variado. O problema está no delivery. Quando o pedido é em grupo, sempre tem um sorteado que fica sem lanche ou recebe o pedido trocado. Como a entrega demora um pouco, às vezes é melhor comer o que vier ou ficar com fome. (Parque 10)

Lanche Papa Légua: Este lanche volta a entrar na lista do Guia, e novamente por um pequeno detalhe. Reafirmo que a comida é gostosa, e a maionese caseira com orégano é uma tentação. Mas parece que o atendimento piorou na mesma proporção em que o lanche cresceu. O prédio é novo e os garçons agora têm palm tops. Mas eles parecem zumbis desinteressados nos clientes. Fingem que não ouvem e demoram com os pedidos. (Praça 14)

Mika’s Chopp: Essa não é experiência minha, e sim da @DeiseAnne. Ela fez um ótimo e revoltante relato sobre o péssimo atendimento neste estabelecimento, que virou um dos textos mais lidos do blog Cretinas Fellings. Com a autorização das autoras do Blog, tomei a liberdade de incluir aqui no Guia. Obrigado por compartilhar a experiência, meninas. E parabéns pelo blog (Eldorado)

O Guia Agridoce Manaus 5.0 fica por aqui, meus amigos. Confiram a 1ª, a 2ª, a 3ª e a 4ª edição deste guia, e não deixem de contribuir. Nosso exército de observadores está crescendo. Tá na hora de vencermos essa batalha contra os garçons mal educados, as lanchonetes sem higiene e seus donos avarentos.

Abraços

Ah, se a moda pega!

Posted by Andres Pascal on agosto 3, 2010
Publicado em: Política. 2 comentários

A moda fashion despojado já “pegou” na Câmara Municipal de Manaus (CMM). Os ternos alinhados e os sapatos bem engraxados deram lugar a calças jeans desbotadas e aos tênis surrados. Da vestimenta tradicional, ficaram apenas o blazer e a gravata, que são artigos obrigatórios para todo vereador. Aí o leitor pergunta: Que nova tendência da moda é essa? Simples, meus queridos. É a tal da “campanha eleitoral”.

É tenso, amigo leitor. O nível frenético de campanha exige a otimização total do tempo. Nada de passar em casa para almoçar, trocar de roupa e tirar uma sesta. O lance é sair para trabalhar vestido com o uniforme de guerra, comer a ração dos soldados e partir para a batalha o mais rápido possível.

Aliás, a guerra da campanha tem terrenos bem mais hostis que os habitualmente freqüentados pelos vereadores. Na hora de subir e descer barranco, pisar na lama e escalar ladeiras esburacadas, o bom é estar com o tênis guerreiro e a calça jeans quase desfiando. Há quem use até bota com ponta de ferro pra chutar cachorro na periferia.

Mas eu ´dou parabéns aos vereadores que se adaptaram ao ritmo da campanha sem esquecer do trabalho na CMM. Pior são aqueles que optaram por nem aparecer na Casa durante a manhã, ou chegar no finalzinho da sessão só pra pegar a presença. Vale lembrar que, dos 38 vereadores, 19 disputam um cargo eletivo este ano.

Há quem consiga ficar de fora destes dois campos de crítica que o texto toma. A vereadora Vilma Queiroz, por exemplo, decidiu tirar licença da CMM no período de eleição. Justa do jeito que ela é, abriu mão até do seu salário. O gabinete da vereadora, no entanto, continua funcionando com toda a verba disponível. Ah, se essa moda pega…

"O cara" da minha vida

Posted by Andres Pascal on julho 1, 2010
Publicado em: Egocentrismo. 2 comentários

Foi naquela tarde de quarta-feira que descobri os efeitos colaterais da ansiedade. As mãos suadas, o frio na barriga e as pernas irrequietas eram perceptíveis em mim por qualquer pessoa que estivesse naquele aeroporto.

Eu tinha pouco mais de 13 anos. Sem forças para lutar contra os adultos que se espremiam para observar além do vidro do portão de embarque. Ainda assim, consegui arrumar um lugarzinho para a minha testa proeminente, e esperei.

Não foi fácil identificá-lo após tanto tempo. Quando saí de Brasília ele ainda nem tinha dentes. Sua forma de interação com as pessoas à sua volta era limitada a grunhidos, sorrisos e a baba no travesseiro (que sempre significava alguma coisa).

Mas, no momento em que o ví, as dúvidas sumiram. Era ele. Quase escondido em uma roupa de frio, com olhos grandes e negros, uma cara de susto e vislumbre pelo novo ambiente. Ainda no colo da minha mãe, de quem eu também tinha especial saudade.

Da esteira de bagagens até a porta, o percurso parecia uma eternidade. Aproveitei pra lembrar de todo o período que fiquei longe da pessoa mais importante da minha vida. O meu irmão. Pensei nos delicados motivos que me fizeram sair de Brasília, e da força e motivação que a existência dele representava para mim em terras desconhecidas.

Quando ele chegou até mim, e eu pude tocá-lo, senti que tudo aquilo fazia parte do passado. Experimentei pela primeira vez o abraço e o beijo daquele molequinho que havia passado tão pouco tempo ao meu lado, mas que representava tanto pra mim.

Mais de 15 anos depois, esse amor cresceu absurdamente. Hoje a minha vida está ligada diretamente à vida do Pedro Henrique, o Pedrinho. Passamos juntos momentos de extrema alegria, e também muitas tristezas que ousamos superar.

Ele é meu porto seguro, a minha fortaleza. É quem continua cedendo o colo quando preciso. É quem não sai de casa antes de me dar um beijo de bom dia. É quem sempre sabe quando eu não estou bem, e está sempre pronto pra ouvir lamentações.

Admiro o homem corajoso que ele se transformou. Que superou a perda de um pai, e segurou com categoria o sofrimento dos conflitos familiares. Tem milhões de defeitos, mas que ficam QUASE imperceptíveis diante da nobreza.

Tem horas que me acho tão pequeno ao lado dele. Que tudo o que faço é pouco pra retribuir o bem que ele me faz. Às vezes pareço priorizar responsabilidades profissionais. Mas a verdade é que é ele a minha grande prioridade.

Hoje eu só posso agradecer pela pessoa maravilhosa que ele insiste em ser, mesmo com toda a influência negativa que a vida nos impôs em alguns momentos. Corajoso, forte, fiel, sincero, amoroso e feliz. Acima de tudo, feliz. Obrigado, maninho.

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