O inaceitável. O inconcebível. O de sempre.

Na última terça-feira, 4, o Senado Federal votou pela não-cassação do mandato do senador Renan Calheiros. Ele, por sua vez, renunciou à presidência da Casa dizendo que sai de cabeça erguida e que é inocente.  Resultado? Pizza (e olha que nem é uma de doce-de-leite da Ghiotto).

 Isso é um absurdo? Uma vergonha para o Senado? Um episódio sem antecedentes na (suja) história política brasileira? Antes fosse.  Outros episódios como esse já aconteceram e voltarão a acontecer.  Mas o que me deixa mais incomodado e que têm que mudar são os discursos. Os discursos treinados, destes que soam como repeteco e ofendem não por desferir aberrações, mas por incitar reações que duram até o momento que as palavras acabam. São discursos tônicos no momento, mas átonos no alcance.

 A propósito, seguem declarações dadas pelos senadores amazonenses pós-absolvição de Renan Calheiros nas duas votações. Os trechos foram retirados de matérias publicadas no jornal A CRÍTICA nas datas e no contexto que seguem expressos.

 “A Casa perdeu e muito, a democracia também. Quem venceu foi a crise que o Senado continua vivendo” (…) “Não aceitamos a presidência dele. O PSDB não aceita. E amanhã (hoje) vamos pedir que se afaste” 
Senador Artur Neto, líder do PSDB no Senado, em 13 de setembro de 2007, depois da primeira absolvição de Renan Calheiros
 

“Foi um ato absolutamente desmoralizante. Entre uma pessoa e uma instituição, o Senado optou por uma pessoa. Não soube criar uma couraça que servisse de anteparo à instituição. Houve um acórdão do PT com o PMDB em troca da prorrogação da CPMF, mas beliscou também votos na oposição” (…)  “Sabia que ele seria absolvido. Mas não achava que seria tão aberrante. O Senado vai pagar uns bons anos com o desapreço popular. É um dia para não se comemorar. Foi nocivo para a democracia. E abriu espaço para a hipertrofia do executivo”.
 Senador Artur Neto, dois meses e vinte e três dias mais tarde, após a segunda absolvição de Renan Calheiros 

“Perde o Senado, a classe política, a democracia, o Brasil. A casa vira agora a Geni nacional. Isso mostra na sua inteireza o que é a maioria dos políticos que o País tem”, diz Péres, enfatizando que esse lamentável episódio da política brasileira só reforça a sua decisão de abandonar a carreira. (…) “Se ele insistir em permanecer, vai ser uma figura decorativa, um zumbi, pois perdeu o respeito dos senadores”.
 Senador Jefferson Péres (PDT), em 13 de setembro de 2007, depois da primeira absolvição de Renan Calheiros

 “Quem perdeu foi o Senado. Quando a classe política se desmoraliza, abre caminho para aventuras autoritárias. Esse é o problema maior. É o ovo da serpente como germe de experiências autoritárias.”
 Senador Jefferson Péres, dois meses e vinte e três dias mais tarde, após a segunda absolvição de Renan Calheiros

 O intervalo de tempo explicitado é razoável para a promoção de atitudes ou de mudanças efetivas nas práticas que se têm como erradas. Mas houve correções ou apenas as práticas erradas se repetiram, ou, ainda pior, aumentaram? Ou o senador Jefférson Péres pendurou as chuteiras após tanta decepção?

 Uma noção clara que fica da leitura dos discursos dos senadores é a de que o Senado Federal sempre perde.  Parece até o meu querido e eternamente amado Corinthians.  Só que no futebol as coisas são mais dinâmicas.  Saco de pancadas, o Corinthians caiu pra Série B. E o Senado, saco de críticas, cai pra onde? Ou não cai?

A meu ver, cai na opinião pública, paga, como o próprio senador Artur Neto menciona, com o desapreço popular.  Mas até que ponto isso é realmente preocupante, tanto para nós quanto para eles? Como nós, cidadãos críticos, podemos alterar estas práticas e melhorar a nossa representação política? Por meio do voto? Não tem funcionado.  Por meio da violência ou experiências autoritárias? Nunca. Por meio dos princípios e das metodologias instituídas na Constituição? Em um plano teórico, sim, mas em uma esfera prática, com tantas artimanhas e tantos desrespeitos legais, também não.  Eu juro que não sei a resposta.  Talvez eu seja muito novo e esteja falando merdas absurdas.  Mas, além de fazer sexo com maior freqüência e intensidade, talvez falar merda seja uma das coisas mais legais de se fazer enquanto jovens.
 

Abraços,
 da equipe Agridoce

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2 comentários sobre “O inaceitável. O inconcebível. O de sempre.

  1. marla alcântara

    A crise enfrentada pela política brasileira, como bem colocou o Diego, pouco importa para senadores, deputados, vereadores, porque me parece que eles já atingiram o seu objetivo principal, e pode ter certeza não é lutar por melhorias na vida do povo que os elege.

    qnto ao Corinthians, é só lamentar amigos corinthianos, mas qm sabe em 2008 esse ” time” não se recupera, hein? Saudações Palmeirenses 😛

    abraço a equipe agridoce

  2. Parabéns p Diego q agora tbm escreve aqui no Agridoce!
    Estou aqui para reclamar porque o endereço do meu blog ainda não está no lado direito dessa página!!kkkk
    PRESTENÇÃO que eu to reclamando! kkkk

    bye guys!

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