Sem Economizar

Estou desde às 8h30m tentando sair do jornal para uma pauta no centro da cidade e não consigo um carro e nem fotógrafo disponível. Apesar de ter anunciado a minha intenção muito cedo, todas as outras pautas de todos os outros cadernos do jornal parecem mais interessantes que a minha, e viraram prioridade. Isso me deixa na dúvida quanto a importância da matérias de economia para um jornal diário.

Não morreu ninguem, de fato, o Amazonino não fez nenhum “anúncio  que salvará Manaus”, o Eduardo não fez nenhuma parceria exterminadora que salvará o mundo, mas considero minha pauta importante. Aliás, o caderno de economia existe porque é importante, porque tem seu público, e porque  traz inflormações extremamente relevantes para alguem…duvida?


Historicamente o peixe é a base da alimentação do caboclo amazonense, mas nos últimos anos, com o aumento do preço, esse produto tem estado muito distante da mesa de grande parte da população do Estado. Do início da cadeia produtiva, que são os pescadores, até chegar no consumidor final, o valor do pescado pode aumentar até 500%. A sazonalidade dos rios e as dificuldades de logística são os principais responsáveis por essa mudança, ainda assim o Amazonas produz hoje cerca de 250 mil toneladas de pescado por ano.

(Amazonas em Tempo – 21/09/08 – Rendeu diversos e-mails e agradecimentos por parte de pescadores e consumidores)


Em Manaus, serviço de internet banda larga é sinônimo de preços exorbitantes e péssima qualidade. Diante dessa situação, a população busca alternativas para garantir a inserção no mundo digital a um custo acessível, como a internet móvel comercializadas pelas operadoras de telefonia celular. Com preços relativamente menores e a vantagem da mobilidade, o serviço tinha tudo para cair nas “graças” da clientela, mas a qualidade ainda deixa muito a desejar.

(Amazonas em Tempo – 19/10/08 – Rendeu diversos e-mails e agradecimentos por parte de consumidores)


A falta de entendimento entre o Ministério Público do Estado e os aprovados no concurso público para promotor do órgão está adiando o início do processo de convocação, e causando demorado “bate boca” judicial. De um lado os aprovados exigem explicações do MPE para a demora na chamada, e reclamam das informações desencontradas. Do outro está o MPE, que culpa a realizadora do evento pela morosidade da homologação do concurso.

Amazonas em Tempo – 06/11/08 – Rendeu diversos e-mails e telefonemas de agradecimentos por parte dos candidatos aprovados)

Isso tudo não é uma propaganda barata do nosso trabalho, até porque não faria muito sentido publicar isso aqui. Mas as vezes me preocupo com a tentativa de vender as informações de economia exclusivamente para um público elitizado (empresários, acionistas, políticos). Isso vai na contramão da tentativa incansável de democratização da comunicação, defendida por tantos.

Na verdade, essa preocupação deve pautar repórteres e editores de qualquer editorial e de qualquer jornal. No momento em que a internet cria nichos diversificados para cada tipo de usuário, é obrigação dos jornais diários atender todo o público. Não podemos mais privar os leitores mais humildes de qualquer tipo de informação, afinal, a desinformação é a principal arma daqueles que tentam se perpetuar no poder.

Pobre tem direito a saber sobre a crise? Tem sim…afinal, é nele que explodirá a alta do dolar e a escassez de crédito. Ele será o primeiro a ir pra rua quando as fábricas iniciarem suas demissões coletivas. É ele que terá dificuldades em comprar no crediário os materiais escolares e a roupinha das crianças. É ele quem se assusta e sente todo dia o preço da cesta básica amazonense (a sexta mais cara do país).

A voz do Povo

Em discurso acalorado durante a reunião do Codam desta sexta-feira, o presidente da Federação dos Trabalhadores da Industria do Estado do Amazonas, Ricardo Miranda, protestou contra a metodologia utilizada pelo Estado para batizar instituições públicas. Ao lembrar sua falecida mãe, a professora Eliza Miranda, homenageada por ele com a construção de um condomínio no Distrito Industrial, Ricardo disse ao governador Eduardo Braga que tentou, por diversas vezes, colocar o nome de sua genitora em alguma escola do Estado.

“Na época em que o José Melo era secretário de educação ele me prometeu que homenagearia minha mãe com uma escola. Ele saiu do cargo e até hoje a tal da escola não saiu. Precisei eu mesmo construir esse condomínio para que minha mãe fosse lembrada”, lamentou.

Porém, o melhor ainda estava por vir. Ricardo deixou desconcertado o governador ao afirmar que as homenagens são dedicadas sempre a pessoas ricas e com status na sociedade baré, o que normalmente beneficia três ou quatro famílias com destaque no Estado.

Foi quando uma voz baixinha, quase um sussuro estremeceu as paredes da sala da Seplan, deixando vermelho empresários, secretários estaduais e até o governador. A voz, delicada porem devastadora, disse uma única palavra, o bastante para causa tamanho transtorno:

“Lins”.