Os Balõezinhos

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                                                    Foto: O Globo

Quem é humano um dia explode.

Deixa transparecer a emoção, não consegue mais engolir o choro, não tolera a injustiça e a tristeza. Quem é vivo se emociona, tem medo, torce, cobra, revolta-se e chora. Chora Muito. Chora por si, chora pelos amigos, chora pelos irmãos, e chora por aqueles que nem conhece. Esta semana eu chorei.

Chorei por centenas de milhares de pessoas que nunca ví na vida, e que provavelmente nunca verei. Na terça-feira assisti um programa de TV (que nunca tinha visto antes por pre-conceito) que contava, com imagens chocantes, o terror que o povo catarinense tem vivido nesses dias de chuva intensa. Terror que fez despertar nesses homens, mulheres e crianças os mais diversos sentimentos.

Essas pessoas perderam pais, filhos, irmãos, amigos. Perderam casas, carros, cachorros, roupas, móveis. Perderam a dignidade, o amor próprio, as expectativas, os sonhos. Essas pessoas estão enterradas na lama, na água podre da chuva, dos rios poluídos. Ví famílias invadindo supermercados atrás de comida, roubando qualquer coisa que pudesse achar, como se fosse a única forma de se manterem vivos. Talvez fosse.

Ví um homem de olhar triste procurando entre os entulhos “alguns balõezinhos pra levar para as crianças”. Aquele pai tinha a expressão de havia perdido tudo, de quem não sabia como explicar para os filhos porque passavam por todas essas dificuldades, porque a vida é tão dolorosa. Ele queria amenizar o fim do mundo com balõezinhos. Naquela hora eu também quis.

Não quero entrar no mérito político da coisa, dessa vez não (por mais dificil que seja pra mim). Naquele momento nem se pensa no culpado pela situação (mesmo sabendo que temos que pensar). Não me acho um cara muito solidário nesses aspectos. Não ligo pro Criança Esperança, não enviei alimentos para as vítimas da seca no interior, nunca assisti ao Tele Toon. Mas o jornalismo me convenceu.

Me interesso em saber como posso ajudar, e contribuir com um bem maior. Quero juntar meus balõezinhos (ainda que sejam poucos), e amenizar a dor das crianças. Também não sou nenhum insensível, nem tinha como ser com toda minha formação de caráter. Só que fico meio sem jeito de espalhar pro mundo que sou ajudando. Acho meio injusto e um tanti quanto idiota.

Ainda naquela terça-feira recebi o email de um amigo que mora em Joinville, me dizendo que tava bem. Eu havia escrito no dia anterior, preocupado com ele. As poucas palavras do meu super-amigo me deixaram aliviado, mas me fez ter certeza de que tudo aquilo realmente existia. Não que eu duvidasse do óbvio, mas as vezes o mesmo jornalismo que me convenceu, me engana alterando proporções.

Para aqueles que não tiveram a mesma sorte que ele, só nos resta ajudar. Seja com uma oração, seja com roupa velha ou um alimento. Vamos juntar os balõezinhos, juntar as nossas forças. Você nãos os conhece, amigo leitor, mas eles são como os. Humanos, vivos, com sentimentos, com muita dor. Eles choram com coisas extremas, e ultimamente esse choro tem sido intenso.

Grande Abraço a Todos…que tenhamos dias melhores

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4 comentários sobre “Os Balõezinhos

  1. Salytha e Jane

    Comentario digno de atençao e de muito respeito
    depois de tudo que lemos,nao tem como nao darmos atençao devida ao caso
    oferecemos nossos baloeszinhos q somados cm os seus serao de grande ajuda
    e como diferentes de muitos cremos q Deus existe e por um motivo
    o qual desconhecemos isso esta acontecendo,mais quem sabe
    nao seria para todos nos possamos perceber o quanto somos felizes e nao sabemos
    ou o quanto temos e nao damos valor……
    valeu migo pelos baloes e sua imensa solidariedade = )

  2. Fabiano Colares

    O mundo de hj é assim, feito muito de nós mesmos. Mas a diferença está em momentos como esse, em q de relance nota-se o outro ao lado e comove-se com a sua dor, e ainda mais raro quando esse sentimento nos move a uma boa ação, não pelo desencargo de consciência apenas, mas sim pelo desejo de melhora, pelo estar bem se o outro tbm estiver bem. E infinitamente melhor seria o mundo se todos tivessem esse momento de relance. Q está fagulha se alastre meu amigo, e nos mova a boas ações não somente pelas vitimas dessa tragédia, mas q a apartir de agora q vc tenha sucesso com suas palavras em transformar o dia-a-dia nosso, talvez o principio de tempos melhores. Parabéns pelas palavras, pode ter certeza de q vou alastra-las tbm, forte abraço!!!

  3. Com cada um juntando um balãozinho daqui e outro dali, conseguiremos reconstruir muitas coisas que a enchente destruiu. Eu só gostaria que isso não acontecesse somente por causa dessas tragédias, antes da enchente já havia milhares de pessoas desabrigadas nesse Brasil afora, já havia pessoas precisando de comida. Tomara que nós brasileiros não perdamos esse espírito solidário que foi despertado na gente, tomara que com enchente ou sem enchente continuemos juntando os balõezinhos e ajudando uns aos outros.

    Beijão!

  4. Michele Gouvêa

    Foi realmente doloroso ver aquele homem procurando um balãozinho para levar para as crianças como uma forma de amenizar o sofrimento ou ao menos resgatar o sorriso nos rostos dos pequenos, que por serem pequenos não entendem o porquê de tanta dor.

    Dor por não ter mais onde morar, por quase não ter o que comer, por não ter roupa seca e por de repente ver todos os seus referênciais se esvaindo com a força d’água. Tbm me comovi com uma menina que estava com os olhos cheios de lágrimas dizendo que foi a um abrigo, a pedido da mãe que ficara com os irmãos menores, para ver se conseguia achar algo que coubesse nela e nos irmãos porque as roupas foram perdidas.

    “Não temos mais roupas secas. minha mãe mandou eu ver se conseguia alguma coisa. Estou com frio”. Disse ela com lágrimas nos olhos, da mesma forma com que ficam os meus quando lembro dela.

    Desde então tenho orado ainda mais pela população daquele Estado, por aquelas pessoas e não tenho cansado de pedir ao Senhor que tenha misericórdia para com irmãos sem rostos para nós dada a distância, mas que pelo amor solidário conhecemos pelo nome.

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