Afinal, Poupar ou não poupar?

O presidente da república, Luís Inácio “Lula” da Silva, deixou poupadores e economistas de orelha em pé ao apresentar mudanças no cálculo de rendimento da poupança. Ainda que haja um compromisso do governo de não prejudicar a população, qualquer alteração faz com que o cidadão com um pouco mais de vivência se lembre do confisco às poupanças efetuado pela dupla mais odiada por aposentados do país, Collor e Zélia.

Mas o leitor do Agridoce pode ficar despreocupado, pois economistas garantem que as mudanças não trarão conseqüências catastróficas. Pelo contrário, ela chega na hora certa para evitar que o sistema tenha um colapso. Isso porque, a poupança foi criada para pequenos e médios poupadores, já que é livre de tributos e possui risco zero. Só que nos últimos anos essa facilidade atraiu grandes investidores para as poupanças.

Foi aí que nasceu o problema, já que o governo pode ficar sem dinheiro para pagar todos os poupadores, o que irá penalizar os mais pobres. Para evitar isso, o governo passará a cobrar imposto de renda dos clientes com mais de R$ 50 mil, e reduzir seus rendimentos, medida apoiada pelo economista Francisco Assis Mourão. “Diminuindo os benefícios, o governo deverá inibir grandes investidores e controlar o excesso causado por eles”.

Dessa forma, os pequenos poupadores não sentirão efeito algum, mas poderão se sentir mais seguros na poupança, que foi criada para eles. Já os magnatas devem voltar a investir suas fortunas em fundos de investimento, que é o lugar deles. Para Mourão, se a estratégia não der certo, e os investidores continuarem procurando a poupança para fugir do Imposto de Renda e das taxas de manutenção, o sistema poderá quebrar.

Corroborando com essa idéia, o economista Rodemarck Castelo Branco defende que essas alterações sejam feitas imediatamente. “Os mais pobres tem que ter atrativo para continuar na poupança, e os grandes investidores que migraram dos fundos de investimento devem ser punidos com a redução desse rendimento. Agora, essa estratégia pode custar um alto preço político para Lula, afetando resultados nas próximas eleições”.

Não é pra menos, Lula vai mexer com a grana da influente classe média, Além disso, questionou-se bastante o momento em que o governo escolheu para fazer essas mudanças, já que estamos no meio de uma crise econômica. Mas o economista e presidente da Ciclo Consultoria, José Laredo, acredita que as mudanças estão diretamente relacionadas ao momento financeiro do país.

“Com o momento delicado em que a economia vive o Banco Central foi obrigado a diminuir os juros da taxa Selic. Isso influenciou investimentos como o CDB, que perdeu rendimento e, até o final do ano, poderá render menos do que a poupança”, explica. Na continuação do ciclo, o baixo rendimento assustará os investidores do CDB, que migrarão adivinha pra onde? Sim, as poupanças no Brasil. Que já começaram a inchar, gerando mais dinheiro para os bancos.

“Aí é que está o problema, pois a lei definiu que esses fundos devem ser investidos exclusivamente em projetos de habitação. Como tem cada vez mais dinheiro, o governo não consegue encontrar destinação para tudo, e boa parte fica parada, sem aplicação”. Neste caso, o economista defende que outros setores também devem se beneficiar com o fundo. Com isso, o economista acredita que Lula deve propor uma nova política de utilização da poupança, também baseada nas limitações.

Cautela

A oficial de cozinha, Maria das Dores Costa, de 53 anos, tem um forte motivo para temer as mudanças. Há 19 anos ela perdeu todo o dinheiro da poupança com a medida adotada por Collor e pela ministra da Fazenda, Zélia Cardoso. “Perdi cerca de 200 cruzeiros que pretendia investir na ampliação do comércio que eu tinha. O estrago só não foi maior porque eu já havia tirado boa parte do dinheiro para dar entrada em uma casa”. Isso”.

Se sentindo ludibriada, Maria das Dores perdeu boa parte da confiança que tinha nas instituições financeiras e governamentais. Apesar disso, acha difícil que algo tão trágico aconteça novamente. “Sinto mais segura agora, pois a economia do país parece estar mais segura também. De qualquer forma, é melhor ficar alerta e tomar cuidado”, conclui a esperançosa, porém cautelosa, oficial de cozinha.

Portanto, as mudanças não deverão trazer conseqüências graves para a população, e de acordo com os especialistas, até vale a pena acreditar na boa vontade do governo Lula. Para o amigo leitor que tem uns trocadinhos na poupança, pode ficar calmo e esqueça a idéia de guardar a grana debaixo do colchão, pois confiscos estão fora de cogitação. Mas àqueles que estão com os cofres cheios, é melhor correr. É isso que quer o governo.

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