Picolé para Educar

O vereador Marcelo Ramos relatou em seu twitter que a escola municipal que funciona nas instalações do CSU do Parque 10 está com os condicionadores de ar quebrados. Para resolver este problema, a diretora do colégio  já disse que irá vender picolé para pagar o conserto.

Isso só mostra o espírito de liderança do prefeito Amazonino “Consertando” Mendes, que em uma atitude ousada, acaba incentivando o empreendedorismo entre nossos gestores da educação. Agora todos trabalharão em prol da educação. Lindo isso.

Ainda bem que não tem feito calor em Manaus

#sarcasmo mode on

Ilustre Esquecido

Em qualquer manifestação ou protesto de uma determinada categoria, a aceitação e até a adesão de outros grupos sociais é extremamente importante. Tanto que, em alguns casos, a barra é forçada.

Tempo desses fui cobrir a greve dos funcionários do INSS. Uma das principais atividades do grupo foi uma passeata pelas ruas do centro, que culminou em frente à sede administrativa do órgão, no antigo Iapetec.

Durante toda a atividade, que foi bastante positiva, o grupo foi acompanhado por um senhor visivelmente embriagado. Ele entoava as palavras de ordem e cantava músicas em prol da causa.

Ao final, o comando de greve sorteou duas camisas para os participantes que haviam assinado a lista de presença. O etílico manifestante se empolgou e torceu pelo seu nome, que insistiu em não sair.

Inconformado, ele gritou, criticou os dirigentes do sindicato e reclamou que o sortei havia sido injusto. Com tanta animação e garra, como poderiam esquecer dele?

“Não trabalho com eles, mas ajudei. Carreguei essa faixa pesada, levantei esse cartaz podre e não me deram nada. Disseram que meu nome não tava lá. Mentira. Assinei quatro vezes”

A Máquina

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Parece um logradouro comum, com crianças brincando de bola e senhoras conversando nas calçadas das casas. Quem chega na rua 21 do bairro Amazonino Mendes nem imagina que em uma das casas,das mais singelas, está sendo desenvolvida uma máquina que poderá revolucionar o mundo da eletricidade. Pelo menos é isso que prometem os criadores dessa engenhoca, um grupo de cinco amigos que se uniu em prol de um sonho, e agora batalha para tocar o projeto pra frente.

Os personagens dessa história não são ricos empresários ou renomados engenheiros. Eles são “cinco quebrados”, como define o técnico em eletrônica e inventor da máquina, Iomar Farel Corrêa. Além dele, participam do projeto o  seguranças José Edson Batista e Valdenilson Pantoja Loureiro, o funcionário público Raimundo Nonato Nogueira e o mecânico João Carlos de Oliveira. “A idéia foi minha, mas nós nunca chegaríamos a lugar algum se meus amigos não tivessem ajudado”, explica.

Antes de dar continuidade a essa história, o leitor precisa entender o que é a máquina. Trata-se de um motogerador de corrente continua. Para os leigos em eletrônica, a invenção se propõe a potencializar qualquer forma de energia renovável, ou seja, transformar o mínimo de matéria prima no máximo de eletricidade. “Nossa máquina aposta na união entre um campo magnético e imãs permanentes. Há mais de 20 anos tive essa idéia e venho trabalhando nela desde então”, argumenta.

Como a energia é gerada com “pouquíssima” rotação, as aplicações para o invento são inúmeras. Farel afirma que seu motogerador pode ampliar, por exemplo, a eletricidade gerada por painéis de energia solar. Esta pode ser a solução para o grande problema desse tipo de alimentação, que exige campos enormes de painéis para iluminar um pequeno grupo de casas ou indústrias, tornando-a economicamente inviável. Outra fonte de energia que pode ser democratizada com a invenção dos amigos é a eólica.
Ecologicamente Correto

Nem mesmo o apelo ambiental é deixado de lado na hora de vender o produto. A máquina poderá gerar eletricidade por intermédio de energia hidrelétrica, mas com impactos menores no meio ambiente. “Como a máquina gira em rotação baixa, não será preciso construir barragens. Ela pode ser instalada em qualquer flutuante ou barco. O mais interessante é que a energia não para na época da seca, o que acontece sempre com as hidrelétricas convencionais” destaca.

José Edson aponta, eufórico, uma das suas aplicações prediletas, os carros elétricos. Segundo ele, um automóvel movido a eletricidade precisa de aproximadamente 400 kg de bateria, e o alcance é pequeno. “É tão pesado que a energia gerada só serve para carregar as baterias”. Com o motogerador vai ser necessário uma única bateria, que poderá ser abastecido, “bem baratinho”, em qualquer posto. Direcionando a idéia para os barcos, a energia pode ser eólica, hidrelétrica, solar ou gerada de uma simples bateria.

Toda essa eficiência não esta apenas nos sonhos dos amigos. Há dois anos começou a se tornar uma realidade com muita criatividade, noites em claro e pouco dinheiro. “Pouco dinheiro não. Pra nós foi muito, e perdemos as contas de quanto gastamos”, corrige Farel. Recentemente eles construíram um protótipo do motogerador, que já está em funcionamento na casa usada como oficina. E foi neste processo que surgiu uma das figuras chaves: João Carlos, o mecânico artesão. O grande gênio do grupo.

O Gênio

Estes elogios parecem exagero, mas foram dados pelos próprios amigos do mecânico. Para eles, João tornou possível o que parecia uma utopia. “Como eu expliquei antes, somos peões. Não tínhamos dinheiro para comprar peças e ferramentas, e foi o João que conseguiu resolver tudo isso com improviso”, conta Edson. Ele mesmo fabricou as peças, e ajustou o que não se encaixava. Se não fosse a criatividade do mecânico, muito seria gasto com a compra de peças fora do Estado.

Falando em improviso, a máquina foi toda concebida com pedaços de compensado, fios de nilon e pedaços de cobre. Quem olha pra engenhoca vê uma máquina de visual bastante rústico, que faz barulho e solta faísca quando está ligada. “Com o dinheiro que tínhamos, foi isso que deu pra fazer, e fizemos até demais. Ela poderia ser menor e menos barulhenta se tivéssemos as peças necessárias”, explica Farel. Equacionar esses problemas e melhorar a qualidade da máquina é hoje o grande desafio dos amigos.

Desde que o protótipo ficou pronto a equipe procura parceiros que ajudem a melhorar o sistema. Tornar a máquina ainda mais eficiente e pronta para ser comercializada exige investimento que ‘os cinco quebrados’ não possuem. Recentemente eles procuraram a Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), mas o auxílio foi negado porque nenhum deles possui ensino superior. “Isso é um absurdo. O presidente do Brasil é um autodidata e ainda temos esse preconceito”, protesta revoltado José Edson.

Atrás do Apoio

Impacientes para tocar o projeto, o grupo procura ansioso por parceiros, de preferência na iniciativa privada. ”Encontramos muita gente puxando o projeto pra baixo. Gente que diz que não vai dar certo, que promete ligar e nos esquece. Tenho certeza que nossa máquina não faz nem 50% do que pode fazer, e se eu não tivesse essa certeza não empurraria meus amigos pra essa empreitada”, disse Farel. Um engenheiro já utilizou formulas matemáticas pra provar que o motogerador não dá certo, mas não desmotivou ninguém.

Usando citações de Aristóteles, Galileu, Farel dá uma lição de que nenhum ser-humano pode desistir dos sonhos. Ele lembra que todas as descobertas da física partiram da quebra de uma lei antiga. “Gosto de pensar que não existe limite. No dia que o homem descobrir os pormenores do nosso cérebro, ninguém morre mais”, filosofa. Foi aí que o grupo discordou pela primeira vez. “Para. Agora você já ta viajando”, caçoa Edson. “Pelo amor de Deus, agora você forçou”, completa o, até então, calado Nogueira.

Para os interessados na invenção, segue abaixo o contato dos geniais cientistas:

Farel: 9177-8179 e José Edson: 8198-3838