Loucura Sã

Ele esbraveja irritado e gesticula como se estivesse a ponto de iniciar uma briga. Suas roupas rasgadas, os pés descalços e um insistente amigo imaginário denunciam o quadro clínico do rapaz, que deve ter um pouco mais de 40 anos. Quem passa olha, ri, tira sarro, mas quase sempre ignora aquele que faz parte das estatísticas. Mas, pela minha aproximação com a loucura, decidi entender suas palavras.

Debaixo do sol quente manauara, o louco fazia críticas ferrenhas ao sistema de transporte coletivo, aos buracos na rua, à casinha do médico da família que não tem remédio, aos vereadores com seus mega-salários, e ao ministro “fajuto” dos transportes. Mostrou uma consciência política pouco encontrada em jovens universitários, sãos, e com a responsabilidade de dar um futuro melhor à nação.

O mais legal era a facilidade de agregar tudo em um único discurso, e de falar com propriedade das limitações de serviços públicos que eu achava que ele nem usufruía. Pois bem. Com exceção de mim, e de alguns outros ouvintes, o grito de revolta do rapaz evaporou com o sol, e não deve fazer nenhuma chuvinha. Ninguém vai comentar, ninguém vai se explicar, ninguém vai procurar melhorar. No máximo, concordar.

Mas ele não é o único, pode ter certeza. Todo mês a classe estudantil faz manifestações, para o trânsito caótico de Manaus, pinta a cara dos vereadores, grita, xinga e….e nada. A meia passagem continua restrita. As filas voltaram porque não se pode mais pagar com dinheiro na catraca. Não adiantou tanto alvoroço. A administração municipal ignora esse monte de loucos, e um dia é capaz de internar.

Parabéns, Manaus

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Um passarinho me contou

O rei nem sequer foi deposto do cargo ainda e seu antigos asseclas já vislumbram a possibilidade de ocupar o seu espaço. Na véspera da decisão judicial que pode tirar Amazonino da Prefeitura de Manaus, o ex-vereador Paulo de Carli já colocou seu nome como possível substituto do Negão.

A novidade foi anunciada há pouco por De Carli, em um dos seus posts no twitter. “Caso haja vacância na prefeitura de Manaus vou colocar o meu nome a apreciação da cidade. Sou candidato!”, afirmou . O pré candidato ainda se mostrou interessado em arrumar a casa ao lado de Rebecca Garcia.

Não tenho a menor expectativa que Amazonino saia do cargo por algo do tipo, mas é legal analisar as especulações em volta das especulações. Vale lembrar que De Carli também acha dificil isso acontecer, e até disse no twitter que distibuição de gasolina na campanha não é crime eleitoral.

Ah, vou embora!

Revoltada com a falta de respeito dada aos seus projetos, a bancada de oposição da Câmara Municipal de Manaus se retirou do plenário nesta manhã. O único vereador que manteve-se sentado foi o petista José Ricardo, mas foi só pra terminar uma sopinha que ele tava tomando na hora.

Mas a atitude deixou muita gente confusa hoje. Teve vereador da base do prefeito que se perguntou o que deveria fazer. É que os efeitos da última reunião entre Amazonino e a bancada de situação já está expirando, e o número de cargos oferecidos ficou defasado

 

O Heroi?

Ele observava a tampa quebrada do bueiro com um certo incomodo, o que era compreensível, já que os vergalhões torcidos apontavam pra cima e se mostravam uma arma fatal para crianças e transeuntes desavisados. Conectou seus pensamentos e foi até a sua banquinha de cachorro quente buscar uma serra e a marreta que seriam suas companheiras por longos 20 minutos.

De cócoras em frente ao problema, o honrado senhor fazia o máximo de esforço que seus quase 60 anos lhe permitia. Quebrava o resto de concreto da tampa, e serrava as partes expostas do vergalhão. E eu observava aquela cena com um certo respeito, a menos de cinco metros de distância. Mas parecia ser o único. As outras pessoas na parada pareciam ignorar aquela cena.

A serra era cega, e não ajudava muito o herói desconhecido. Ele limpava o suor na testa e observava os calos que rapidamente se formavam na sua mão. Eu não conseguia observar o progresso do trabalho, mas parecia que a qualquer minuto ia acabar. Me segurava para não chegar até ele e agradecer o trabalho. Não queria constrangê-lo. Ele enfim se levantou, juntou o material e voltou pra banquinha. Algo estava errado.

Mesmo com todo trabalho, o serviço estava incompleto. Faltava um pedaço enorme de concreto e o número de vergalhões voltados para cima aumentou. O que deu errado? Olhei de volta pro nobre senhor e ele estava quase deitado no chão. Colocava o bloco de concreto embaixo do pé da banca, como um calço. A decepção tomou conta de mim. O herói nada mais era que um espertalhão, egoísta e sem noção.

Ah, os blogs

Acho que meu blog nunca fez mal a ninguem. Mesmo com todas as críticas, duvido que um dia eu tenha ferido o pseudo-orgulho de algum político local, ou incomodado algum empresário da comunicação.

É até uma pena não escrever tão bem pra fazer algo do tipo, admito. Mas se eu dia eu chegar lá, quero que os blogueiros vivam uma realidade bem diferente desta que vive o meu amigo Ismael. CONFIRA