Entrega a Deus

A ausência do poder público municipal nunca foi tão real como agora. Antigamente, quando eu dizia que a cidade não tinha prefeito, era um modo de dizer, de protestar. Mas agora o lance é sério, não tem ninguem pra xingar, pra reclamar e pra não-ouvir a gente.

E isto não se reflete apenas na Mansão do Tarumã  Avenida Brasil, onde fica a sede da prefeitura. Manaus inteira está entregue a própria sorte. Hoje, durante mais uma sessão matinal de congestionamento na Bola do Coroado, nenhum azulzinho apareceu para tentar organizar o tráfego.

Com o trânsito parado e sem perspectiva de melhoria, uma boa alma saiu corajosamente do seu carro e começou a sinalizar para os outros motoristas, indicando o local por onde cada carro deveria passar. Se não resolveu, a atitude reduziu um pouquinho a sensação de caos do local.

Observando tudo de longe, um velhinho lamentava a situação e clamava dos céus uma resposta, que de certeza não chegará agora.

Com o prefeito nos estrangeiro e o vice preso, onde eu posso fazer minha reclamação?  Será que eu vou ter que ir pro Puraquequara pedir uma audiência?  

Se não cassa, vira caça

Manaus tem um prefeito com mandato cassado, que  depois foi descassado. Mas tem um vice que foi caçado pela polícia, e até agora está enjaulado. Na jaula também se encontra seu irmão comparsa, meio Metralha. Família desvairada.

Ainda tem o outro irmão, que pouco fede e nada cheira. Ele é vereador, que nem o filho de um casal de deputados. Menino de poucas palavras, quase nenhuma. Mas tem discurso afiado, e quase nunca perde a destreza. “Mamãe e Papai resolve, beleza?”

E esse pai é super homem. Superforte, supernicioso. Encara qualquer dilema, com ele não há “pobrema”. Se “os traficante” tão escondido e a coisa tá meio insossa, o danado não se aquieta e bate até na esposa. Essa já sofreu, mas sabe que não é fatal. Pra tirar marca do rosto, fez até “Reconstrução Total”

Tirando da Reta

Amazonino “Descumprindo” Mendes deu um passo atrás (o que ele faz com frequência) e declarou que não vai cumprir uma de suas promessas de campanha, a de regularizar a profissão de mototaxistas em Manaus. Revoltada, a categoria prometeu tocar o terror na cidade. Mais?

Esta não é a primeira vez que o Negão faz isso com os antigos parceiros. No começo do ano os kombeiros ficaram revoltados com a negativa do prefeito de liberar a atividade em toda a cidade, mesmo com relevantes serviços prestados pela categoria à campanha do ingrato.

Tirando o seu da reta, o Negão disse que a prefeitura além de não ter competência legal para regulamentar uma Lei Federal, não pode aplicá-la enquanto o Contran não definir as regras que pesarão aos profissionais. Então, ele já tava contando com a regulamentação quando prometeu no ano passado?

Iê Iê Iê, Fumacê

Mais uma vez a cidade de Manaus acordou sob uma gigantesca nuvem de fumaça, e esta foi a primeira informação que recebi nesta manhã. É que, desta vez, não fiquei sabendo por blogs e jornais. Eu ví. Ela estava lá. No céu da minha casa, no caminho para o trabalho, dentro do meu pulmão.

Tô sentindo um incômodo enorme na garganta, parece que está fechando. Meu nariz está vermelho e comecei a sentir uma dor de cabeça horrível. Semana passada algumas pessoas haviam sentido os mesmos diagnósticos, mas não tinha noção do quanto isso era prejudicial.

Isso só reforça minha hipótese de que o poder público está ignorando toda esta situação. Na prefeitura ninguem faz nada, no governo poucos se pronuncia. O único técnico da prefeitura que falou alguma coisa teve a coragem de dizer que isto tudo era boicote à viagem de Lula. Ah, faça me o favor. Nem a 13 de maio podem mais culpar.

Quando eu trabalhava na prefeitura esse lance de queimada era levado a sério. Aliás, tinha uma campanha de combate reforçadíssima, com divulgação na mídia e telfone 0800. Lembro que fazia matéria todo dia sobre isso. Até enchia o saco. Já chegava na Semcom perguntando:”Além da matéria das queimadas, o que mais tem pra fazer?”