O Rio

O rio passa correndo e leva com força o que há pela frente.

Mato, barranco, capim vão embora indiferente.

Leva planta. Leva galho, leva folha, leva flor, pra alegria poética do autor.

Destruidor, leva sonhos, leva vida e leva amor. Tão rápido quanto chegou.

Jamais para! O rio apenas avança. Troca de nome quando precisa, e se lança.

Esfria com a água da chuva, ou esquenta com a lua. Mas ele sempre continua.

Negro ou barrento, o destino é o mesmo. Destino nenhum.

E a flor? e o sonho? e o amor? Onde ficou? Alguém pegou?

Ficou pra quem não se acovardou. Pra quem nas suas águas se jogou.

O rio transforma vidas com as vidas dos outros. Que bom que ele não parou.

Corinthiano Sofredor? Graças a Deus

Caímos. O sonho mais uma vez foi adiado, e às vezes chego a pensar que é pra sempre. Desconfio que a Libertadores está para o corinthiano como as nuvens estão para o peixe. Como a neve está para o manauara.  Algo impossível, intocável. Mas, sinceramente, isso já não me preocupa mais.

Não vou desdenhar o título que não temos. Não sou assim. Ontem desabei depois da derrota. Chorei um choro de incredulidade. Como bom corinthiano, a Libertadores também era um sonho pra mim. Mas acho que esse título não tem nada a ver com a cara do Corinthians. Nem com a cara da nossa fiel torcida.

Quem muito já ganhou a taça continental se vangloria disso. Quem ganhou uma vez insiste em lembrar sempre. Eles precisam da Libertadores para marcar a história, para agradar a torcida. Precisam ser lembrados por isso, já que é a única coisa que lhes resta. Nós não. A Fiel tem o Corinthians, e o Corinthians tem a Fiel.

Torcida que justifica o nome que tem em qualquer situação. Que passou 24 anos sem título estadual e ainda assim cresceu absurdamente. Que foi ao inferno da segunda divisão e não parou de cantar e apoiar ao time. Nossa fiel torcida corintiana não vive de modismo, de títulos, de jogadores. Nós vivemos de amor, da paixão inexplicável pelo Todo Poderoso que tanto nos faz sofrer, mas também é responsável por nossas alegrias.

Portanto, se a Libertadores vier um dia eu agradeço. Vai ser mais um título para comemorarmos, gritarmos e cantarmos nas arquibancadas e na frente da TV. Mas se ela insistir em fugir de nós por toda a vida, tenho certeza que o brilho dessa torcida não se apagará jamais. Que o nome do Corinthians será entoado mais alto que qualquer outro. “Na vitória ou na derrota eu grito forte: CORINTHIANO SEREI ATÉ A MORTE!.

#GreveManaus

Nesta sexta-feira o usuário do transporte coletivo em Manaus não teve motivo algum pra reclamar dos ônibus velhos e lotados. E que neste dia 30 de abril de 2010, amigo leitor, os manauaras nem sequer tiveram os ônibus para se locomover.

O caos se instalou em Manaus. O sindicato dos rodoviários decidiu deixar as ameaças de lado e deflagrou uma greve geral da categoria. Os ônibus que saíram das garagens formaram uma fila indiana no Centro, e lá permaneceram por horas.

Sobrou pra quem? Para a população, é claro. Com os ônibus parados ninguém podia ir pra casa, pro trabalho ou pra qualquer outro lugar. Os poucos veículos que rodaram estava lotados, e demoravam horas para chegar.

Revoltada, a população não deixou por menos. Alguns ônibus foram destruídos e até cobrador levou porrada nesta tarde quente de abril. Com o centro parado, praticamente toda a cidade sofreu com congestionamentos intermináveis.

A confusão foi tão grande que o hashtag #GreveManaus foi parar no trending topics (ranking de expressões mais citadas) do twitter nacional. Criticas e piadinhas rolaram durante todo o dia. O nobre deputado Josué Neto, aliás, foi o único que achou a greve uma bobagem. “Um diazinho dá pra aguentar sim”.

No meio de toda essa confusão, palmas para a equipe de vídeo do Jornal Dez Minutos, que fez uma ótima cobertura do ocorrido. Para quem quer saber mais detalhes sobre o ocorrido, é só acessar as reportagens no Canal do Dez Minutos no youtube.

Toda repercussão fez com que o prefeito Amazonino desistisse de participar da inauguração da praça da Saudade, que aconteceria na noite de hoje. Aliás, o Negão é um dos grandes responsáveis por esse caos, ainda que tente desnvincular de sí essa responsabilidade.

A prefeitura tem sim que intermediar negociações salariais entre os empresários e a categoria. Afinal, e ela a gestora do sistema. Mas, pelo contrário. Amazonino Abre as pernas para os empresários e acaba na mão também dos trabalhadores. Preciso dizer novamente quem se dá mal nessa equação?

É isso aí, minha gente. Vamo que vamo.

A foto é do meu compadre, Arlesson Sicsú