"O cara" da minha vida

Foi naquela tarde de quarta-feira que descobri os efeitos colaterais da ansiedade. As mãos suadas, o frio na barriga e as pernas irrequietas eram perceptíveis em mim por qualquer pessoa que estivesse naquele aeroporto.

Eu tinha pouco mais de 13 anos. Sem forças para lutar contra os adultos que se espremiam para observar além do vidro do portão de embarque. Ainda assim, consegui arrumar um lugarzinho para a minha testa proeminente, e esperei.

Não foi fácil identificá-lo após tanto tempo. Quando saí de Brasília ele ainda nem tinha dentes. Sua forma de interação com as pessoas à sua volta era limitada a grunhidos, sorrisos e a baba no travesseiro (que sempre significava alguma coisa).

Mas, no momento em que o ví, as dúvidas sumiram. Era ele. Quase escondido em uma roupa de frio, com olhos grandes e negros, uma cara de susto e vislumbre pelo novo ambiente. Ainda no colo da minha mãe, de quem eu também tinha especial saudade.

Da esteira de bagagens até a porta, o percurso parecia uma eternidade. Aproveitei pra lembrar de todo o período que fiquei longe da pessoa mais importante da minha vida. O meu irmão. Pensei nos delicados motivos que me fizeram sair de Brasília, e da força e motivação que a existência dele representava para mim em terras desconhecidas.

Quando ele chegou até mim, e eu pude tocá-lo, senti que tudo aquilo fazia parte do passado. Experimentei pela primeira vez o abraço e o beijo daquele molequinho que havia passado tão pouco tempo ao meu lado, mas que representava tanto pra mim.

Mais de 15 anos depois, esse amor cresceu absurdamente. Hoje a minha vida está ligada diretamente à vida do Pedro Henrique, o Pedrinho. Passamos juntos momentos de extrema alegria, e também muitas tristezas que ousamos superar.

Ele é meu porto seguro, a minha fortaleza. É quem continua cedendo o colo quando preciso. É quem não sai de casa antes de me dar um beijo de bom dia. É quem sempre sabe quando eu não estou bem, e está sempre pronto pra ouvir lamentações.

Admiro o homem corajoso que ele se transformou. Que superou a perda de um pai, e segurou com categoria o sofrimento dos conflitos familiares. Tem milhões de defeitos, mas que ficam QUASE imperceptíveis diante da nobreza.

Tem horas que me acho tão pequeno ao lado dele. Que tudo o que faço é pouco pra retribuir o bem que ele me faz. Às vezes pareço priorizar responsabilidades profissionais. Mas a verdade é que é ele a minha grande prioridade.

Hoje eu só posso agradecer pela pessoa maravilhosa que ele insiste em ser, mesmo com toda a influência negativa que a vida nos impôs em alguns momentos. Corajoso, forte, fiel, sincero, amoroso e feliz. Acima de tudo, feliz. Obrigado, maninho.