Mototaxystem Of a Down

Nada melhor que uma situação de caos para expor as garras daqueles que não têm compromisso algum com a coletividade, e se aproveitam do sofrimento de uns para benefício próprio. Ontem a cidade de Manaus parou com a irresponsável greve dos rodoviários, que se tornou ainda mais grave com a ineficácia de um prefeito ausente e sem escrúpulos. Isso tudo tornou o nosso fragilizado sistema de transporte coletivo inerme a um vírus altamente nocivo à nossa sociedade: Os Mototaxistas.

Já dei minha opinião sobre isso algumas vezes, e pode parecer até perseguição da minha parte. Mas a verdade é que ontem voltei a me incomodar profundamente com a atitude destes “profissionais”, que se aproveitaram da falta de ônibus em Manaus para extorquir parte da população. Pra variar, a parte com o menor poder de reação. Quem foi obrigado a utilizar deste serviço para trabalhar ontem, teve que pagar preços absurdos. Houve quem cobrasse R$ 50 em trajetos que, em dias normais, custam R$ 20.

É sempre bom lembrar que a regulamentação da profissão de mototaxista foi votada recentemente pela Câmara Municipal de Manaus, e espera a sanção do senhor prefeito. Na verdade, regulamentação não é bem a palavra para descrever isto, já que ninguém regula de verdade o serviço. Ninguém pune quem cobra preços abusivos. Ninguém controla sequer o número de motos existentes na cidade. Prefiro tratar essa medida como uma simples “permissão”.

Pois bem, os mototaxistas devem ganhar essa permissão para integrarem o sistema de transporte coletivo, composto por ônibus, taxis, executivos e alternativos. A ideia não é que haja uma disputa entre eles, e sim uma cooperação. Se o amigo leitor acha que o ônibus está demorando demais, pode optar por qualquer uma dessas alternativas. É a tal da redundância, para não deixar o usuário na mão. Estes grupos, no entanto, devem cumprir regras para se manterem na legalidade.

É aí que fica evidente o compromisso que os mototaxistas têm com a população de Manaus. No momento em que o trabalhador mais precisa de uma alternativa. No momento em que os ônibus não eram uma opção, eles decidem se beneficiar do caos e lucrar muito com isso. Me revolta pensar em tamanho egoísmo. Nem era necessário cobrar mais caro para ter um lucro absurdo. Sem ônibus nas ruas, qualquer mototaxista faria mais viagens por Manaus que o Amazonino  durante o seu mandato. E ganharia muito, mesmo cobrando um valor normal.

Aí eu lembro da época em que essa “permissão” estava em discussão na Câmara. Vereadores populistas posando ao lado dos mototaxistas, defendendo o direito que o “pai de família” tem para trabalhar. Aliás, a expressão “pai de família” foi muito usada para sensibilizar a sociedade da necessidade de garantir a permissão. Mas eu pergunto: Com a permissão na mão, qual foi o mototaxista que se sensibilizou com a situação dos pais de família que precisaram usar o serviço para trabalhar ontem? Quem optou por cobrar a mesma tarifa? Quem optou por não explorar os trabalhadores? Deixo a resposta pra quem sofreu com isso ontem.

O que será que os parlamentares defensores dos mototaxistas comentariam sobre isso? É difícil até saber, já que boa parte dos vereadores gazetou trabalho ontem.  Vai ver ficaram sem ônibus para trabalhar, né? Hoje, aparentemente, tudo voltou ao normal. As paradas continuam lotadas, mas com esperança de que o ônibus vai passar. Os ônibus continuam velhos, mas já estão nas ruas. O que ficou do dia de ontem foi apenas a certeza de que, com os mototaxistas, não podemos contar.

Anúncios

Um comentário sobre “Mototaxystem Of a Down

  1. jeduardodantas

    Andrés, nada como a experiência para nos dar uma visão mais fiel da realidade: nas poucas vezes que usei mototáxi, paguei quase a mesma coisa que pagava usando um táxi normal. Então, antes mesmo de adotar este meio de transporte, desisti dele: prefiro pagar para viajar no conforto do ar-condicionado, batendo aquele papo nonsense com o taxista, do que me arriscar sobre duas rodas por aí. That’s the fact. E nem vou entrar nas questões polêmicas que tu pontuaste no texto, como a dita “permissão” – ninguém permitiu, eles chegaram a dominaram – e a defesa dos “pais de família que querem trabalhar” – desde há algum tempo, eu fico automaticamente do outro lado da discussão quando este argumento surge na mesa. Abs, bicho!!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s