Até logo, mãe!

12046685_10153193290583947_2984848334256336743_n

Oi, mãezinha.

Já tá descansando? Hoje foi um dia tenso, né? Muita gente que te ama veio prestar a última homenagem. Alguns vieram me dizer que você era uma super mulher, que era de ferro. Mal eles sabem que isso nem é verdade, né mãe? Você tinha suas fraquezas, seus medos, suas angústias. Mas você era batalhadora, uma guerreira. Além, é claro, de ser uma pessoa linda também. Mãe, hoje me perguntaram se eu queria me despedir de você pela última vez. Fui, mas apenas protocolarmente. A gente sabe que nossa despedida já rolou, né? Aliás, tá rolando tem uns anos. No período que estivemos lado a lado, dando apoio um ao outro nas muitas dificuldades que surgiram pra mim e pra você. Fico tão feliz quando lembro dos dias que ia te visitar de surpresa na escola, e você me recebia com um sorriso tão grande. E das vezes que você me pediu ajuda pra tocar os projetos, você lembra? A gente comemorava feliz da vida quando dava tudo certo, né? Você me fazia rir quando eu entrava no seu quarto a noite, e você demorava 15 segundos pra identificar se era eu ou o Pedro. Eu gostava de ficar lá deitadinho com você. Te observar assistindo tuas séries no Netflix. Séries, aliás, que você via em um dia, enquanto eu demorava meses pra terminar. E já que falei de despedida, mãezinha, não posso esquecer dos dias intermináveis que estivemos juntos na luta contra essa doença. Dias de exame, dias de quimioterapia, dias de consulta, estávamos sempre juntos. Ficávamos na sala de espera jogando show do milhão, lembra? Mas divertido mesmo era quando jogávamos abecedário. O Pedro tá até agora com raiva por ter acreditado no teu papo de que Filipenses é uma cidade. Ainda chamava a gente de povo sem cultura quando não conhecíamos os lugares que você inventava. Já tô com saudade de ser enganado por você, minha carequinha. Saudade do ovo do peitão, do “me liga quando chegar” , do “nem me ligou, né?”, das mensagens de bom dia do nosso grupo na família, do beijo enquanto eu dormia. Eita, dona Marilene. Essa saudade chegou tem pouco tempo e já me dominou. Ainda tínhamos tantos planos. A nossa viagem, o seu jardim, o nosso Natal. Vai ser difícil viver com ela. Vai ser difícil viver sem você. Mas se você tá bem, eu também tô bem. Cuida da gente aí de cima. Da um beijo na mãe Maria e no papai Alonso. Diz pro Sabazinho que esse lance de jornalismo é tenso mesmo. Aliás, curte teu amor aí. Ele devia estar com saudades também. Amo você, mãezinha. Amo tudo o que você foi pra mim, e tudo o que sempre será

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s