Quem curte uma pelada gostosa?

Hoje quero falar sobre o tradicional Futebol de Quinta-Feira. Este evento que nasceu nos campinhos de pelada de Manaus para contribuir com a agregação humana, ou segregação, dependendo do nível de agressividade sofrido pelos praticantes desta modalidade.

A idéia e os objetivos são bem parecidos com o do futebol comum. Visualmente, no entanto, pouco se assemelham. No Futebol de Quinta-Feira, que também é conhecido como Pelada ou Pébol, vale absolutamente tudo. Chutões, caneladas, catimba…só não vale esquecer de citar o nome da mãe do adversário na hora da provocação.

E o evento acontece na quinta-feira por um motivo estratégico. Com as partidas do Campeonato Brasileiro encerradas, os boleiros que torcem pros times vencedores têm a oportunidade única de zoar com aqueles que saíram derrotados. Cabe ao perdedor inventar as mais estapafúrdias desculpas para tentar justificar o mal rendimento do time.

Aliás, contar vantagem e inventar desculpa é com o boleiro mesmo. Em todo campinho de pelada tem aquele que chega arrotando talento digno de Ronaldo Fenômeno, e terminam a noite com um desempenho pior que o do Val Baiano. Aí tem que dizer que ta cansado, que trabalhou o dia todo ou que resolveu dar uma chance pros adversários.

Outros personagens também brilham nesse palco bizarro do pébol. Tem o cara que só chega bêbado, e sempre vira piada entre a galera com suas quedas absurdas e lances bizarros. Tem o galã, que chega todo equipado, com chuteira brilhando, e nunca joga bem. Tem também o reclamão (ou dono da bola), que nunca aceita uma derrota.

Não podemos esquecer de citar o craque. O boleiro que realmente joga bem. Solidário e humilde, ele nunca faz alarde, mas impressiona com seu futebol. O coitado, porém, sofre bullyng e é boicotado. Só é convidado uma vez. Duas no máximo. É que, para os perebas, sempre há de se prezar pela manutenção do nível amador.

E os corneteiros do time fora? Passam a noite toda sem ganhar uma partida sequer. Mas não deixam de criticar os times que estão em campo. Secando e rindo em cada jogada errada, estas hienas só ficam caladas quando levam uma bolada “acidental”, ou ouvem o famoso “Quem é que ta fora mesmo, einh?”

O futebol é algo sagrado para os boleiros. Quase um segundo lar (para alguns, o primeiro). Tanto que parte deles aproveita para levar mulheres, namoradas e peguetes para o pébol. O objetivo é fazer com que as pobres torçam por eles. Elas, no entanto preferem ignorar o evento e tricotar conversas infindáveis entre sí. Além de garantir é claro, que a “pelada” que apaixonou os seus homens é inofensiva e sem curvas.

*O nome do evento utilizado no texto é influenciado pela vivência do autor, mas pode ser adaptado para qualquer dia da semana.

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Muito mais que um simples “SIM”

Agora são os dois na mesma cama, na mesma casa, na mesma mesa do jantar. Dividindo alegrias do dia, compartilhando histórias, risadas e lágrimas. Agora o “fica com Deus” é coletivo, o dorme bem é no ouvido,  e o “não esquece” é com mãos dadas e revezamento em escala.

Mãos suadas e nervosismo no dia 29. Nos olhos, um misto de sentimentos compreensíveis apenas para os protagonistas. Foram seis anos e três meses de espera, de desafios, de companherismo e cumplicidade, de decepções e reconquistas. Mas, acima de tudo, seis anos e três meses de amor initerrupto.

Hoje a alegria vem com pequenas coisas do dia. As refeições nada sadias da madrugada, o momento mágico da compra de uma campainha, matar carapanãs, lavar a pia e cozinhar. A expectativa por mais um episódio do seriado, e a briga pra decidir quem toma o primeiro banho da manhã.

Mas pra quem acha que é fácil ser feliz, que é só trocar alianças e deixar levar, a vida a dois é reconquista diária. É ser feliz fazendo o companheiro feliz, como ensinou o pastor. É ceder, é mudar atitudes. Tem que esquecer o orgulho e lutar por um objetivo único. É se doar, sem pensar no que virá em troca.

Não sei se fui o melhor companheiro do mundo, ou o que mais deu alegrias. Mas meu compromisso é com a felicidade, com o sorriso de covinhas e o pra sempre. Se não for assim, não me vale cada dia 11 ou 29.

Obrigado, senhora Michele Gouvêa Ferreira Pascal